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Moradores não estão felizes com Turismo em São Sebastião

08.08.2017

Prof. Thiago de Luca pesquisa a percepção dos diferentes stakeholders (moradores, turistas, empresários e membros do governo) a respeito da atividade turística na cidade de São Sebastião. Os dados foram coletados utilizando um formulário on-line com dez questões, abordando assuntos relacionados ao meio ambiente e à economia, como empregabilidade, desenvolvimento da economia local e qualidade de vida de uma comunidade.  Os resultados indicam que há diferenças significativas de percepções entre os grupos de stakeholders estudados. Mais da metade dos moradores demonstraram descontentamento com a forma de como o turismo acontece na cidade, por outro lado, os turistas apresentaram uma visão mais positiva.

Importante salientar que isto reflete a opinião referente ao desenvolvimento do turismo na cidade ao longo do tempo, e não especificamente ao momento atual.

 

RESULTADOS

 

Resultados da amostra geral

 

Os principais grupos de stakeholders em relação ao turismo de São Sebastião foram convidados a responder um questionário on-line com dez itens, sendo dois de identificação e oito de estilo Likert, sobre suas percepções acerca do impacto do turismo na cidade. As respostas variaram em uma escala de cinco pontos, em que 1 representa “discordo plenamente” e, no outro extremo, 5 representa “concordo plenamente”.

 

Boa parte dos stakeholders (75%) consideram a cidade sebastianense como um destino turístico, porém 51% dos respondentes discordam quando perguntados se estão felizes com a forma de como o turismo está sendo desenvolvido na cidade. Neste ponto, existe uma diferença substancial entre a percepção dos moradores e dos turistas. Enquanto mais da metade (59%) dos moradores não estão felizes com o desenvolvimento do turismo na cidade, este número cai para menos de um terço (26%) quando se olha apenas para os turistas, notando-se assim umamaior insatisfação por parte dos moradores locais do que pelos turistas. Uma grande maioria dos respondentes (93%) acreditam que o governo deve se envolver nas questões acerca do turismo, e quando se olha apenas para as respostas “concordo plenamente”, existe uma convicção maior ainda pelos grupos de empresários locais (73%) e de funcionários públicos locais (80%).

 

Em aspectos econômicos, a maioria dos stakeholders enxergou benefícios significativos provenientes do turismo: mais de 90% sentiram que o turismo aumenta o número de empregos e melhora a economia local. Quando comparados esses resultados entre os grupos, também houve significativa diferença de percepção, enquanto os moradores e os turistas foram mais conservadores ao concordarem com os benefícios, os funcionários públicos e os empresários foram muito mais incisivos ao concordarem plenamente com o aumento do número de empregos e a melhora da economia local influenciada pelo turismo.

 

Acerca do aumento da qualidade de vida, 73% dos stakeholders acreditam haver uma melhora proveniente do turismo e 19% se sentem neutros a este respeito. Nesta questão, mais uma vez os empresários e os funcionários públicos foram muito mais incisivos ao concordarem plenamente com a afirmação, fazendo contraste com os moradores e turistas, que se posicionaram mais para neutralidade ou para um concordo mais conservador.

 

Quando confrontados se o desenvolvimento do turismo aumentaria o crime, houve uma enorme variação de respostas por parte dos stakeholders, formando um conjunto geral em que 29% concordam, 37% são neutros e 34% discordam. Ao olhar grupo a grupo, nota-se mais uma vez um olhar mais positivo do turismo pelos funcionários públicos e, principalmente, empresários. Dos funcionários públicos, 43% discordam que o turismo pode aumentar o crime e mais da metade dos empresários (56%) também seguem este raciocínio. Os moradores (38%) e turistas (35%) tiveram uma tendência mais para a neutralidade.

 

Um último ponto abordado, procurou entender se o interesse da economia local é mais importante do que as preocupações ambientais. Neste momento, apesar do período de instabilidade econômica e de falta de empregos, uma grande maioria (78%) dos stakeholders discordam de que a economia tenha prevalência contra o impacto ambiental. Não houve diferenças significativas entre os grupos.

 

Resultados dos testes estatísticos

 

Os resultados do teste de ANOVA apontaram diferenças significativas (< 0,05) para cinco itens de oito entre as médias dos diferentes grupos de stakeholders, sendo: (1) eu estou feliz com a forma de como o turismo está sendo desenvolvido em São Sebastião, (2) o turismo cria novos empregos, (3) o aumento do turismo melhora a economia local, (4) o desenvolvimento do turismo aumenta a qualidade de vida de uma comunidade, e (5) o desenvolvimento do turismo aumenta o crime, conforme tabela 1. Com base neste estudo, há suporte para a ideia de que existem diferenças de percepção entre os grupos de stakeholders de uma comunidade acerca do impacto do turismo.

 

Para cada item em que houve diferença estatística significativa, foi rodado um teste de Bonferroni para avaliar quais grupos específicos apresentavam diferenças. Em três dos cinco itens, houve diferença de percepção entre os moradores e os empresários. Turistas divergiram com moradores e também com funcionários públicos sobre estar ou não feliz com a forma de como o turismo está sendo desenvolvido na cidade, demonstrando uma percepção mais otimista do que os locais. Houve diferença significativa entre empresários e moradores e também entre empresários e turistas, acerca do aumento da qualidade de vida influenciada pelo turismo. Não apenas neste ponto, a visão dos empresários tendeu a um extremo mais positivo, já por outro lado, os moradores tiveram uma percepção mais conservadora dos benefícios do turismo.

 

Figura 1 - Opinião dos moradores de São Sebastião

 

DISCUSSÃO

 

Os resultados desta pesquisa indicaram diferenças significativas de percepções entre os grupos de stakeholders estudados. Entender os principais interesses dos diferentes stakeholders permite uma maior chance de sucesso no desenvolvimento do turismo em determinada região. Baseado neste estudo, o grupo que apresentou maior diferença significativa entre os demais foi o de empresários. Os empresários tiveram uma diferença estatística significativamente diferente dos moradores em três itens de oito, sendo: (1) o turismo cria novos empregos, (2) o aumento do turismo melhora a economia local, e (3) o desenvolvimento do turismo aumenta a qualidade de vida de uma comunidade. Apesar de todos concordarem com as afirmações, os empresários tiveram um nível maior de concordância, tendo um olhar muito mais otimista acerca do impacto do turismo na cidade de São Sebastião. Estudos anteriores como o de Byrd (2009), feito em uma zona rural da Carolina do Norte (EUA), apontaram um olhar mais positivo dos funcionários públicos em relação aos demais stakeholders sobre o turismo. Entretanto, neste artigo os resultados apontaram um olhar mais otimista dos empresários em relação às demais partes interessadas.

 

A maioria dos moradores, incluindo empresários e funcionários públicos, demonstraram descontentamento com a forma de como o turismo está sendo desenvolvido na cidade, porém quase metade dos turistas se sentiram neutros em relação a este ponto. Pode-se pensar que os turistas tenham essa percepção mais neutra por não estarem em constante contato com a cidade. Já os moradores, funcionários públicos e, principalmente, empresários demonstraram um maior descontentamento por não notarem ações imperativas do governo em relação à atividade turística local, sentindo, portanto, falta do turismo acontecendo de fato.

 

Por fim, outro ponto que cabe destaque é justamente a diferença encontrada entre as percepções dos stakeholders. Com base nos resultados, faz sentido a possibilidade de uso de governança colaborativa entre o governo e os demais stakeholders, de maneira que todos participem cocriando valor, mirando assim um equilíbrio de benefícios entre as partes.

 

IMPORTANTE: O texto aqui inserido é parte integrante de artigo científico, de autoria de Thiago de Luca, submetido ao congresso SEMEAD. Em caso de interesse do artigo completo, favor solicitar.

 

 


 

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